29.02.2024
A evolução dos Relatórios Climáticos Corporativos
Conferências globais e iniciativas atuais como o TCFD e o TNFD reforçam a importância de estabelecer práticas sustentáveis e transparentes

Nos últimos anos, tem-se observado um crescente interesse e preocupação em relação às questões ambientais, sociais e de governança (ESG) no cenário corporativo global. Empresas estão sendo pressionadas a assumir responsabilidades para além do lucro financeiro, buscando uma abordagem mais sustentável em suas operações. Neste contexto, os relatórios ambientais têm ganhado destaque, especialmente no que diz respeito à história e evolução dos relatórios climáticos.
Os relatórios climáticos têm suas origens em conferências globais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, onde o compromisso global com uma agenda climática foi estabelecido. Marcos importantes incluem o Protocolo de Kyoto em 1997, que estabeleceu metas de redução de emissões, e o Acordo de Paris em 2015, que definiu metas mais ambiciosas para combater as mudanças climáticas.
Os frameworks de relatórios financeiros relacionados ao clima têm evoluído ao longo do tempo, com destaque para iniciativas como o TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) e o ISSB (International Sustainability Standards Board). Estes frameworks têm desempenhado um papel crucial na padronização e divulgação de informações financeiras relacionadas ao clima. Organizações como o Carbon Disclosure Project (CDP) têm desempenhado um papel fundamental na coleta e divulgação de dados relacionados ao clima. O CDP, em particular, expandiu seu escopo para incluir não apenas questões climáticas, mas também água, florestas, biodiversidade e plásticos. Da mesma forma, o TCFD tem influenciado empresas a relatarem riscos e oportunidades climáticos. A integração de riscos e oportunidades climáticos na estratégia de negócios tornou-se uma prioridade para as empresas. Frameworks como o TCFD têm buscado incorporar essas considerações no quadro de gerenciamento de riscos corporativos, destacando a importância de uma abordagem integrada para a gestão de riscos.
É importante distinguir entre frameworks, standards e regulamentações, sendo que estes últimos são imposições que as empresas devem seguir. Frameworks como o TCFD oferecem recomendações e orientações como forma de boa prática de mercado, enquanto standards estabelecem requisitos e critérios de relato com base em processos estruturados, e em muitos casos, se tornam obrigatórios por meio de regulamentações.
Iniciativas como o Task Force on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) buscam ampliar o escopo dos relatórios corporativos para além do clima, incluindo considerações sobre natureza e biodiversidade. Ao mesmo tempo, há um foco crescente na transição para uma economia de baixo carbono, exigindo que empresas não apenas estabeleçam metas de emissões líquidas zero, mas também apresentem planos claros de como alcançá-las.
A colaboração e a preparação para eventos climáticos extremos são fundamentais para uma abordagem eficaz de gestão de riscos climáticos. A qualidade e confiabilidade dos dados em relatórios corporativos são essenciais para informar decisões e políticas. Frameworks e legislações relevantes, como IFRS, S1 e S2, devem ser compreendidos e seguidos para garantir relatórios precisos e sustentáveis.
Esse foi o tema apresentado por Felipe Salgado no “Relatórios, Dados & Controles”, temática que faz parte do #ESGJourney, nossa jornada que traz os hot topics deste universo. Saiba todos os detalhes dela aqui: https://kbs.kpmg.com.br/esg-journey/p

